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Gato Pardo

Para quem não conhecia, saiam enquanto é tempo...Para quem já conheceu, puxem duma cadeira...Vem aí a versão 2.0...

Os cirurgiões já andam com falta de ideias, não?

Hoje enviaram-me um link com a seguinte mensagem.

"Implantes mamários em part time".

Admito que não sou defensor dos ditos em full time. Não só pelas questões médicas inerentes mas também porque não sou grande consumidor de comida plastificada (ou siliconizada, neste caso). Agora, em part time? Implantes com uma durabilidade de 24 horas? Porra, já tive ressacas que duraram mais tempo que isso.

Mulheres, esclareçam-me. Isto é mais uma daquelas modas de meninas com demasiado tempo e dinheiro nas mãos ou é simplesmente insanidade mental tão temporária como os ditos implantes? É que algo me está a escapar. Eu ainda sou daqueles que silicone, só para efeitos de bricolage.

Enlighten me..

Estarão os portugueses a adoptar o "don't take away my take away"?

Tenho uma churrasqueira ao pé de casa.

Conheço os donos. Boa gente, malta trabalhadora, afáveis, o meu tipo de gente. Julgo que em dez anos, nunca vi aquele estaminé vazio. Muito pelo contrário. Está sempre à pinha, ao ponto de por vezes me questionar se os gajos estão a dar IPhones ou se são uma sucursal da Zara.

Isto leva-me a questionar uma série de coisas.

Será que o pessoal não sabe cozinhar?

Será que toda a gente aqui das redondezas é rica e eu sou o único pé rapado num raio de 25 quarteirões?

Será que eles também são visitados por colombianos e é isso que o torna o frango de churrasco ou grelhada mista tão afamada?

Será que há vida para além da morte? E se há, é alguma coisa de jeito?

Será que já bebi café suficiente por hoje?

Dilemas, dilemas, dilemas...

No tempo dos meus pais, comer fora era um luxo. Ir buscar take away era um privilégio. Agora? É quase tão banal como comprar um telemóvel novo a cada seis meses.

Ainda sou um purista. Gosto de cozinhar. Aprecio todo o processo (principalmente o abrir de uma garrafa de tinto para ajudar ao processo de confecção). E claro, gosto de comer. Retiro uma enorme satisfação de passar horas na cozinha e fazer algo de raiz (embora a probabilidade de abrir mais que uma garrafa aí seja bastante mais elevada). Ainda não cheguei foi à parte de publicar fotos no Instagram.

Não quero pensar que um dia uma das nossas maiores mais valias (a gastronomia) se perca a favor do comodismo. Sim, porque da mesma forma que conheço cozinheiro(a)s de mão cheia, também conheço pessoas que em cinco anos de habitabilidade em casa própria, nem por uma vez utilizaram a cozinha. Nem para fazer uma malfadada torrada. Bem, isso não é totalmente verdade. O casal em questão já utilizou a cozinha mas a mestria de culinária deles foi outra. Desde que a malta do CSI não lhes entre em casa com luzes negras, eles estão safos. Senão, aquela cozinha é uma orgia de ADN...

 

Ser boa pessoa? A work in progress... Nah, dá muito trabalho!

Conversa de café.

 

- Sabes, estou cada vez mais farta de ser boa pessoa. Cada vez me convenço que é demasiado esforço para tão pouco proveito...

 

Dei por mim a concordar com a pessoa em questão.

Não só porque estou a anos luz de ser uma boa pessoa mas porque não tinha como refutar a sua afirmação. Não só porque esse conceito é do mais ambíguo que existe mas também porque dá um trabalhão dos diabos. Senão vejamos. Eis um pequeno inquérito efectuado a 100 pessoas das quais 90 fugiram de mim porque pensavam que eu era uma Testemunha de Jeová e os outros 10 só falaram comigo porque me cravaram um cigarro enquanto falávamos.

- Uma boa pessoa não diz palavrões nem insulta. É má educação. Mesmo quando um gajo nos bate no carro e depois de olhar para o nosso pára choques e diz "isso mal se vê", uma boa pessoa nunca responderá "isso é o que a tua mulher te disse da primeira vez que tentaste pinar com ela, certo?". Ok, não sou uma boa pessoa. Que se f*da.

- Ó ódio não é um sentimento que se coaduna com boas pessoas. Tou lixado. Odeio favas. Odeio iscas. E odeio visceralmente a Margarida Rebelo Pinto. Vou arder no inferno.

- Uma boa pessoa não tem vícios. Bem, visto que sou um happy smoker, um jolly drinker e um one of a kind lover, suponho que estes três singelos vícios descartam por completo a mínima probabilidade de eu ser uma boa pessoa. Que se lixe. Vivo bem com isso.

- Uma boa pessoa mede sempre as suas palavras. Até nem discordo em absoluto desta afirmação. Tirando aqueles casos específicos em que a minha incontinência verbal leva a melhor e tudo num raio de 10 kms é vaporizado. Sim, porque a tolerância humana tem os seus limites. E eu não sou conhecido pela minha paciência infinita.

- Uma boa pessoa dará sempre o melhor de si, seja em que circunstâncias forem. Já fui assim e já fui um firme crente desta afirmação. Mas depois acordei. E sim, o meu perfeccionismo não me deixa dar menos de 200% em tudo que me envolvo mas tornei-me muito mais selectivo naquilo em que me envolvo e mais importante, com quem me envolvo. Nem tudo merece o nosso melhor e nem todos merecem um vislumbre do melhor que somos.

- Uma boa pessoa deixa a sua marca nas outras pessoas. Hum...se eu retirar esta frase do contexto devido e a meter num contexto mais sexual, isso significa que sou boa pessoa? É que se é o caso, então sou património do Coro de Santo Amaro de Oeiras. Um bocado depravado mas mesmo assim, património.

Como disse antes, isto dá uma trabalheira dos diabos. Limitemo-nos a ser o melhor que conseguimos ser, nunca abdicando das nossas convicções, credos e vontades. Porque no dia em que deixarmos de ser nós mesmos, passamos a ser algo que as outras pessoas desejam que sejamos. Mais uma ovelha num rebanho sem fim. Se é essa a definição de boa pessoa, então count me out.

Uma caixinha catita que permite pesquisar as entranhas dos últimos anos de posts. Muito útil, principalmente porque nem eu já me lembro de metade do que escrevi...

 

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